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quarta-feira, 1 de março de 2023

Homeschool - Metodologia na prática

Depois de anos discutindo sobre a educação pública, propondo diversas metodologias e processos que poderiam ser aplicados para contribuir na evolução do ensino, tenho a oportunidade de implementar meus conceitos de forma prática, fazendo uso de um modelo educacional que vem crescendo muito nos últimos anos, o homeschooling.

Fonte: homeschoolacademy.com

O conceito moderno de homeschooling tem suas origens na década de 70, através de um movimento social liderado pelo professor e autor John Holt, chamado Growing Without School (Crescendo Sem Escola).

Em seu modelo, Holt defendia um processo de desescolarização, pois acreditava que o padrão existente na época (praticamente o mesmo que temos hoje) não atendia às necessidades das crianças e poderia até trazer diversos problemas na formação do indivíduo. John Holt inspirou-se nas teorias de Raymond Moore, que defendia a ideia de adiar a escolarização das crianças até um momento em que elas já tivessem desenvolvido o pensamento crítico. Raymond e sua esposa trabalharam arduamente para desenvolver leis que pudessem defender os direitos dos pais de terem a liberdade de educar seus filhos como quisessem, um legado que perdura até os dias de hoje nos Estados Unidos.

O Brasil tem enfrentado uma grande luta em relação a esta questão, e tem recebido muita atenção da mídia nos últimos anos. A prática ainda não está regulamentada e ainda deve demorar muito até que seja finalmente oficializada no país.

Uma ressalva da minha parte - não acredito que a educação domiciliar seja a solução ideal para todos, tendo em vista diversos fatores socio-economicos existentes no país, mas acredito na liberdade de escolha das famílias quanto a essa decisão. Dar a qualquer governo o direito de como nossas crianças são educadas é algo que não vejo como ideal.

Atualmente moro nos Estados Unidos, onde essa prática é regulamentada, então tenho o direito de optar por fazê-lo ou não. Como eu e minha esposa somos plenamente capazes de preparar uma criança educacionalmente, decidimos educar nossa filha Valentina, de 11 anos, em casa, pois ela não se sentia bem no ambiente escolar já faz algum tempo. 

Entretanto, temos outro filho, Pedro, de 13 anos, que prefere continuar estudando no ambiente escolar, pois sua afinidade com os colegas o mantém motivado a permanecer na atual escola.

Um ponto importante é que não tomamos a decisão da noite para o dia, e que estivemos avaliando bem o caso da nossa filha. Fatores como mobilidade, necessidades especificas da criança e problemas sociais nos auxiliaram nessa tomada de decisão. 

Sendo assim, aconselho a todos os pais que queiram seguir esse caminho que sejam cautelosos e busquem um bom entendimento sobre o assunto. Um ambiente familiar estruturado é fundamental para esta prática, uma vez que essa será a base para seus ensinamentos.

Durante esta nossa jornada com o homeschool, tentarei postar neste blog um pouco dos processos utilizados, bem como o avanço da Valentina. Iniciamos os nossos trabalhos no começo de Fevereiro deste ano e acredito que em breve já conseguirei ter algo interessante pra compartilhar aqui.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Só a educação liberta!

Fonte: http://wellingtoncollege.edublogs.org/
Ao passar dos anos, tenho percebido cada vez mais a importância do ensino como agente transformador da sociedade e de forma geral da realidade em que vivemos.

Sou apaixonado por conhecimento. Quero aprender cada vez mais sobre tudo, desde a história humana, sobre como chegamos até aqui, o que fizemos durante o percurso do Homem sobre a Terra, como era o mundo e como ele é atualmente depois da nossa interferência, gosto de entender a política, a economia, os aspectos ambientais, o cotidiano, os esportes, as ciências médicas, etc. São tantos assuntos interessantes, que fica até difícil de focar em apenas uma coisa... e talvez nem tenha que ser assim.

Entretanto, vejo tantos problemas no modelo de educação atual, a forma como a mesma se relaciona com a realidade dos estudantes, como ela conflita com o modelo mental das pessoas nascidas nessa nova era e isso me leva a questionar o poder que hoje a escola possui sobre o futuro dessa geração.

Será que a escola nos dias atuais contribui para a formação intelectual e social dos estudantes? Será que ela prejudica? Será ela adequada na construção dos conceitos necessários para os futuros responsáveis por girar a roda do mundo?

São diversos questionamentos que ainda vejo em aberto e complexos de se responder com certeza. De certa forma, a escola é uma instituição (e falo de forma generalista, envolvendo tanto ensino público como privado). Ela sendo uma instituição e carregando diversos preceitos, conceitos e formato herdados das suas versões anteriores, podemos considerá-la como uma grande corporação, os chamados dinossauros... pesados, lentos e se me perdoam a expressão: ultrapassados.

Claro que vemos hoje diversas iniciativas dentro do ambiente escolar buscando renovar seus métodos e conteúdos, mas mesmo estas iniciativas chegam em geral de forma tardia. O que ocorre em geral é a aplicação de novas tecnologias em sala de aula, mas com o viés de simplificar o uso de recursos antigos: seja a aplicação de provas via dispositivos móveis, projetores que apenas reproduzem mídias frias e sem sabor. Uma educação ancestral.

"Conhecerás a verdade e ela vos libertará" (João 8:32). Essa frase para mim se traduz no entendimento de como o poder transformador da educação, através do conhecimento da verdade, pode nos livrar das amarras de uma vida limitante e nos permite chegar ao nível de libertação psicológica, social e econômica. A capacidade que nós temos de aprender e acima de tudo de questionar o que sabemos é um dos maiores dons que temos em nossa vida. Devemos levar em nós esse espírito de querer sempre aprender mais e mais, uma avidez pelo conhecimento e todos os seus benefícios que nos serão acrescentados - "A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento." (Provérbios 4:7)

Algumas pessoas acham difícil ou mesmo chato estudar. Mas se pararmos pra pensar, estamos sempre aprendendo de alguma forma, seja um novo jogo, uma nova receita, como usar um novo "gadget", etc. Só temos que entender o sentido daquele aprendizado em nossas vidas e achar um ponto que nos interesse, até que isso se torne prazeroso e divertido. 

Tudo bem, você deve estar pensando: "Como vou achar divertido e prazeroso estudar química, sendo que detesto essas coisas? Pra que vou aprender isso ou onde usar?". É exatamente isso que estou dizendo, você precisa primeiro se convencer da importância da química na sua vida para poder gostar de aprender. Precisa visualizar o assunto e/ou conteúdo em seu dia a dia para que ele possa trazer o valor necessário.

O fato é que aprender é inerente ao ser humano e faz parte da nossa busca interior, o que aprendemos ou queremos aprender vai depender dos nossos interesses, muito mais do que pela clara necessidade - afinal, posso viver sem saber química e ser feliz assim mesmo :). Mas a percepção sobre o valor do aprender deve ser descoberta e despertada em cada um de nós e mais do que isso, devemos considerar que muitas vezes nosso cotidiano e nossas limitações culturais nos impedem de ver além das coisas básicas e da necessidade do dia a dia - conhecimentos pra sobreviver em nosso mundinho geralmente dominam nossa mente. Quando conseguimos elevar nossos anseios, sonhar alto, ir além do clássico "feijão com arroz", então estaremos a um passo de conquistar esse desejo.